Monumento ao ginete

Uma homenagem ao grande personagem dos Rodeios

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Quem chega a Vacaria de Lages ou Bom Jesus se depara com o Monumento ao Ginete, criado para evidenciar a maior festa de nossa cidade: o Rodeio Crioulo Internacional. O monumento fica na rótula da BR 116 com a BR 285.

A obra enaltece o ginete, o maior personagem dos Rodeios. O ginete é o domador de cavalos, homem do campo – agora também da cidade – que se aventura a montar em um cavalo não adestrado, conhecido por aqui como “xucro”.

Monumento fotografado por Artur Alexandre.

A gineteada é uma das provas mais prestigiadas do Rodeio. Milhares de pessoas aguardam para conferir os ginetes montarem no lombo dos cavalos, sem cela, buscando permanecer o maior tempo possível em cima deles. Quem consegue ficar mais tempo sem cair, no cavalo que corcoveia, vence a prova.

“Há 20, 30 anos atrás, os ginetes eram os peões das fazendas, da lida campeira. Montar e domar fazia parte do dia a dia deles. Na gineteada, o peão praticava o que gostava, encontrava os amigos e tinha a oportunidade de aumentar a sua renda” conta Nilson Hoffmann, tradicionalista e narrador de rodeios.

Ginetes oram pedindo proteção, minutos antes da prova. Crédito: Mateus RosaMuitos dos ginetes ainda têm sua origem na estância, como é o caso de Israel, 24 anos e Lucas, 26 anos, campeões de rodeios. Os irmãos Parizotto vêm de uma família criadora de gado e cavalo, são domadores e cresceram em contato com o campo e suas atividades.

Quase todos os finais de semana, os guris enfrentam as estradas para irem ginetear.

“Sempre que podemos, vamos aos rodeios, mas a inscrição hoje é cara e dificulta a participação. A sorte é que vencemos rodeios e, por isso, somos convidados e ganhamos a inscrição” revela Lucas.

Equilíbrio: o surfista que ganhou o último rodeio

Muita gente se surpreende quando fica sabendo que o grande campeão do 32º Rodeio de Vacaria é o surfista, Leonardo Marques, de São José, Santa Catarina. Leonardo ilustra bem a nova geração de ginetes: é urbano, representante comercial e ginete por esporte.

Leonardo pegando onda em Santa Catarina. Crédito: divulgação Leonardo Marques

“Muitos dos atuais ginetes são da cidade e foram apresentados à gineteada por algum amigo. Praticam-na como esporte. Acredito que poucos deles ainda sejam exclusivamente do campo”, conta Raul Bittencourt, narrador de rodeios.

“Quando era pequeno meu pai negociava cavalos, sempre tive contato e respeito por eles. Eu laçava e, aos 16 anos, decidi montar por curiosidade. Não caí e fiquei confiante. A partir daí, treinei bastante para vencer rodeios”, conta o jovem de 26 anos.

Leonardo faz musculação e costuma montar semanalmente para se preparar para as provas. Muito treino e sorte, segundo ele, lhe garantiram o troféu de vencedor do 32º Rodeio, quando competiu com 119 ginetes.

Foto extraída do site do CTG Porteira do Rio Grande. Autoria não informada.

“Para ser um bom ginete é preciso respeito e humildade para aprender com os mais velhos, além de muito treino. Para vencer é preciso, também, sorte para pegar com um bom cavalo, que corcoveie,” diz Leonardo.

 

CURIOSIDADES

* O Monumento ao Ginete foi feito pelo escultor José Cristóvão Batista, de Lages, Santa Catarina. Foi idealizado por Lenino Pagot, então secretário municipal.

*Segundo Nilson Hoffmann e Raul Bittencourt, diferentemente do que muita gente acredita, os cavalos utilizados nas provas das gineteadas são muito bem tratados. Os aporreados, como são chamados, são muito bem cuidados porque são valiosos e precisam estar fortes para as provas. “No último Rodeio, havia 120 ginetes inscritos e 140 cavalos e um total de 190 montarias, incluindo classificatórias, semifinais e finais do Rodeio. Acredito que o cavalo que ‘trabalhou’ mais, corcoveou 20 segundos” revela Raul Bittencourt. “O tropilheiro – dono das tropas dos aporreados – quer o seu cavalo bem saudável. Quando forte, ele derruba o ginete, aí o seu preço aumenta” revela Nilson.

*A chegada de cavalos a América do Sul se deu por volta de 1535. Acredita-se que a gineteada tenha sua origem indígena, quando índios seguravam nas crinas dos animais para montá-los e tentar ‘domesticá-los’.

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