Juliana Biazus da Silva,
tecnóloga em ciências equinas

Juliana fala de Empreendedorismo Feminino
Especial Papo de Mulher

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por Giana Pontalti

Ela fez do amor ao cavalo a sua profissão. Mais do que isso, sua missão. Em 2010, Juliana Biazus uniu conhecimento e ímpeto para criar a ONG Passo Amigo, uma entidade que contribui para o desenvolvimento de pessoas com deficiência e necessidades específicas, com a ajuda dos cavalos.  “Durante a faculdade, me encantei pela disciplina de equoterapia. Decidi que queria trabalhar com isso. Na teoria, os benefícios eram muitos, mas na prática são ainda mais surpreendentes”, revela.

Juliana está à frente da ONG Passo Amigo, entidade referência em equoterapia no estado. Foto: Samara Pacheco | Esthudio F18

Aos 36 anos, Juliana coordena a ONG que é referência em todo o estado – e por que não dizer? – no país.  Juliana é nossa convidada para o Especial Papo de Mulher, pois é um exemplo de empreendedorismo feminino. Imagine uma garota recém-formada em ciências equinas, que ousa criar uma organização não governamental, com toda a burocracia que isso envolve, em uma cidade com escassos recursos financeiros e muita demanda por atendimento. No que vai dar? Em sucesso.

“Quando me formei, fiz uma parceria com a Apae. Puxei o meu cavalo para fazer os primeiros atendimentos. Eu me emociono ao ver onde chegamos. Hoje, atendemos 88 pessoas entre crianças, adolescentes e adultos, mas a demanda é ainda maior”, explica.

Maior é também a sensibilidade e o senso de justiça de Juliana. “Antes da entidade ser fundada, pessoas nos procuravam interessadas no atendimento, muitas delas sem condições financeiras. Eu não podia ver isso sem fazer nada. Aí, montamos a instituição para poder angariar recursos, contratar mais profissionais e atender a demanda existente. Começamos com a cara e a coragem, sem dinheiro algum. Saíamos com um álbum de fotos para explicar o que fazíamos e conseguir doações para fundar a ONG”, diz.

A pequena grande Juliana não só fundou a Passo Amigo como fez a entidade avançar. Mesmo sem a intenção de ser empreendedora, viu na necessidade uma oportunidade de transformação social em Vacaria. “O começo de uma entidade é muito difícil, tem que ter muita persistência. Mas tu vais encontrando pessoas no caminho que acreditam na mesma coisa que a gente. Elas vão se engajando, ajudando a tornar possível”, destaca. E os benefícios? “Há melhoras em muitos aspectos, pois adotamos o modelo biopsicossocial. De imediato, testemunhamos o sorriso da criança ao olhar para o cavalo e a emoção do cadeirante ao enxergar o mundo de cima, sendo possível caminhar com as pernas do amigo cavalo”.

O que planeja Juliana daqui para a frente? “Um projeto dedicado às mães. Elas deixam de viver a vida delas e passam a viver a vida dos filhos, porque eles precisam de muita atenção. Precisamos cuidar delas também”.

Clique aqui e assista à nossa conversa com a Juliana. Confira também o Fala Guria, logo abaixo.

ENTREVISTA 

FALA GURIA

Profissão: tecnóloga em ciências equinas.

Trabalho: Juliana é a coordenadora da ONG Passo Amigo. Integra, também, dois conselhos municipais, o Conselho da Pessoa com deficiência e o Conselho da Criança e do Adolescente.

O que queria ser quando criança: veterinária.

Cavalos: “Cresci rodeada deles. Meu pai é criador de cavalos, meu irmão tem um centro de treinamento. O cavalo é tudo, parece que foi criado para ajudar: eles conhecem cada criança que monta neles, não a julga”.

Empreender: “Eu nunca pensei em ter uma instituição, não tinha nem ideia de como abrir. Mas quando as pessoas precisam, te dá uma força de ir atrás. Foi tudo natural, mas muito estudado. Tive de estudar muito porque não sabia nada da parte burocrática”.

Recursos financeiros: “O começo de uma entidade é muito difícil, pois temos que provar o tempo todo a utilidade e os benefícios do que fazemos. Levamos anos para conseguir entrar nos conselhos.

A Passo Amigo é mantida com recurso público municipal e privado, obtido por editais. A maior fonte que a gente tem é do projeto Amigo de Valor, do Banco Santander. Ficamos entre os 77 projetos selecionados no Brasil inteiro, já faz três anos que fazemos parte.”

Credibilidade conquistada: “A gente prestava contas, mostrava tudo, sempre com muita transparência. Começamos, então, a ganhar credibilidade. Aí, conseguimos atender mais pessoas”.

Equipe interdisciplinar: Para um atendimento é preciso um profissional de psicologia ou fisioterapia habilitado e um equitador. São três pessoas, mais o cavalo e os custos com os seus cuidados e alimentação. A ONG conta atualmente com nove profissionais.

Burocracia: “A parte burocrática demanda muito tempo. Somos duas pessoas só para fazer a gestão dos projetos, prestação de contas, eventos. Muitas vezes elaboramos 10 projetos para aprovar metade deles. Faz parte”.

Filantropia: “Obtivemos a filantropia com muito trabalho. Não temos influência política. Aqui é fruto do conhecimento e batalha para conseguir as coisas”.

Um valor: “A justiça. Vemos tanta injustiça por aí. Se a gente contribuir para que o mundo seja um pouco melhor, já é válido”.

O que lhe dói: “Ver crianças sem condições não terem acesso às entidades e outras, com condições, terem vaga nelas”.

Consciência: “Depois que eu comecei a trabalhar aqui, percebi que na vida a gente faz de uma dificuldade pequena algo tão grande, enquanto pessoas que passam por problemas mais complexos, sabem viver de uma forma muito mais leve.”

 

Cuidar das mães é próxima meta: “No dia a dia, elas têm tanta coisa: é fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga. Elas não têm tempo para elas. A gente brinca que queremos fazer um espaço nem que seja para elas virem falar do marido (risada)”.

Pandemia: “Os atendimentos continuam, com novas regras. Nós nos surpreendemos porque quando voltamos a atender, dos 88 beneficiários, só 9 não voltaram”.

Perseverança: Se a gente começa certo, não é tão difícil, pois já vai em uma linha, segue um enquadramento correto. Nós pesquisamos e estudamos muito. Sempre que buscávamos apoio do setor público e ouvíamos um não, não aceitávamos simplesmente. Buscávamos informação, líamos a lei, até conseguirmos”.

Referência: Vem gente de todo o estado conhecer a ONG, desde estudantes e profissionais que pensam em fazer um negócio semelhante a pessoas que planejam fundar uma entidade.

Inovação: “Na reabilitação, atendemos as mesmas crianças por muito tempo, por anos, uma vida inteira. É importante inovar para não ser maçante para eles. Tudo que puder trazer de novo é positivo, mas isso demanda recursos”.

Especial Papo de Mulher | março de 2021

 

10 COMENTÁRIOS

  1. Cumprimentos a Juliana e sua equipe.
    Não conheço o Passo Amigo, porém já ouvi boas referências.
    Que Deus continue abençoando e protegendo vocês e todas as pessoas assistidas.
    Pela sua humanidade você faz grande diferença na sociedade.
    Precisamos de mais pessoas como você.
    Bons desejos acompanhem vocês.
    Meu abraço.

  2. O trabalho da ONG Passo Amigo é inspirador💯… Tenho a oportunidade de ser um Mobilizador junto a Instituição na qual trabalho, que apoia financeiramente os Projetos da ONG e a cada nova visita à ONG identifico muitos diferenciais da Equipe, mas o principal é o brilho nos olhos dos colaboradores que servem de motivação para todos… Equipe Nota 🔟! Parabéns pela divulgação nesta entrevista e que o futuro continue a trazer prosperidade a Passo Amigo!!! 👏👏👏

  3. Admiro a Ong Passo Amigo, tive a oportunidade de conhecer o trabalho da Juliana, pois a ONG recebeu o mérito lojista social em 2020 , destaque entregue pela CDL para a ONG. Parabéns Juliana pela perseverança!

  4. Parabéns Giana pela matéria! Coisa linda essa entrevista. Muito bem lembradas essas duas mulheres. Nossa pequena grande Juliana e Dona Zulema!

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