Laura Grandi,
terapeuta holística

Laura fala sobre o valor da mulher anciã
Especial Papo de Mulher

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por Giana Pontalti 

Laura é uma mulher alegre que sempre gostou do silêncio. O silêncio, o mistério e o sagrado a acompanham desde cedo. “Estudei em colégio de freiras, gostava da vida monástica, dos amplos corredores, da biblioteca, do som do piano, gostava até do cheiro das freiras. Tempos depois, descobri que elas tinham o perfume da lã francesa, dos hábitos que vestiam”, conta.

Laura está se aprofundando no Sagrado Feminino e quer trabalhar com as mulheres maduras | Foto: Samara Pacheco Esthudio F18

Laura pensou em ser religiosa, mas internamente outros desejos pulsavam. Estudou filosofia, lecionou por muitos anos. Como professora, foi militante, grevista, lutando por direitos da classe em uma época que era não só inadequado protestar como também perigoso.

Apaixonou-se, casou e migrou com o esposo para Vacaria. Aos 38 anos, ficou viúva e se viu com três filhos para criar, sozinha. “Foi uma perda afetiva imensa, econômica também. Virei sacoleira por um tempo, visitava clientes do meio rural de porta em porta, fazendo amigos e aumentando a renda familiar”, recorda.

Em uma viagem, conheceu um casal que lhe falou da massoterapia. Não tardou para tornar-se a primeira massoterapeuta de Vacaria. “Quando se faz uma massagem, não tocamos apenas corpos, mas também almas”, diz. A agenda logo lotou e mais uma guinada na vida se efetivou. Iniciava, assim, a trajetória como terapeuta.

Apaixonou-se novamente, fez da sua casa o seu jardim e nunca mais deixou de percorrer o caminho do autoconhecimento. Recentemente, Laura fez o curso de gineterapia e agora estuda o sagrado feminino. “O sagrado feminino resgata toda a sabedoria feminina que foi perdida durante a história. Nós somos deusas, somos criadoras, geradoras de vida. As mulheres em sua essência são repletas de intuição, amorosidade e espiritualidade. Não fomos feitas para competir umas com as outras, mas para vivermos irmanadas em sororidade”, diz.

Aos 71 anos, Laura permite-se sentir e vivenciar tudo que aprendeu como terapeuta. Logo vai compartilhar os saberes do sagrado feminino com outras mulheres. “Planejo trabalhar com grupos de mulheres maduras. Podemos crescer muito umas com as outras”, afirma.

Laura é uma das convidadas do Especial Papo de Mulher para conversar sobre o envelhecimento e o papel da mulher madura neste 8 de março. Assista a entrevista feita juntamente com Anelise Leoncio e confira o Fala Guria logo abaixo.

ENTREVISTA 

 

FALA GURIA

Profissão: terapeuta holística.

“Uma terapeuta precisa ter 12 formações para ser holística”. Laura tem uma extensa formação holística: massoterapia, Reiki, Florais de Bach, Aromaterapia, Regressão em terapia de vidas passadas, Programação neurolinguística, Renascimento, Formação internacional em autoestima, Gineterapia e Terapia integrativa do feminino.

Formação: Graduada em Filosofia. Atualmente faz pós-graduação em psicomotricidade e terapia integrativa do feminino.

Meditação: Implantou na rede municipal de educação Vacaria e no Colégio Gustavo Vieira de Brito o “Mahatna meditação paz nas escolas”.

71 anos: “Somos muitas mulheres em uma. Um dia sou uma menina alegre, outra uma jovem donzela. Um dia sou uma mulher plena, outra uma anciã arrastando os chinelinhos. Nós mulheres somos cíclicas e completas”.

Base familiar: Laura é de Antônio Prado. Vem de uma família simples, mas que sabia cultuar a alegria. “A minha base é boa, meu pai adorava cantar”.

Perdas: “O Planeta Terra é um lugar de sofrimento também. Precisamos aprender a ressignificar o sofrimento. Para mim, o caminho foi o autoconhecimento.”

Ganhos:  Há 1 ano, Théo chegou à vida de Laura. O neto arranca suspiros da avó. “Ser avó é puro deleite, pura alegria”.

“Amo ser mãe também”.

Pandemia: “Fiquei sete meses em silêncio. Queria mesmo realizar outro vipassana – retiro em que propõe 10 dias em completo silêncio.  Nesse período, mergulhei no silêncio, muitas sombras vieram, dores afloraram. Tudo o que tinha ido para baixo do tapete apareceu. Chorei muito, morri para a Laura que eu era e renasci outra.”

Círculos femininos: estou me capacitando para trabalhar com círculo de mulheres. Quando estamos em círculo, estamos uma ao lado das outras, ninguém é superior. Dizem que quando uma mulher se cura, todas as suas ancestrais se curam também.

O envelhecer: “É inevitável envelhecer. O corpo tem prazo de validade. Mas é possível ter frescor também nesta etapa da vida.”

Mulheres anciãs: “Chegamos a terceira idade em um piscar de olhos. Existe um convite na idade madura para sairmos dos papéis, dos personagens adotados para descobrirmos quem realmente somos e que sonhos ainda queremos realizar.”

O silêncio: Quando fala, Laura se refere ao silêncio como nobre, um mestre, um professor. “Quando silenciamos conseguimos observar os pensamentos e entendemos que não somos a mente”.

Especial Papo de Mulher | março de 2021

 

 

 

 

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